sábado, 5 de novembro de 2011

A casa da minha infância

A  minha  casa
Não era uma casa
Era um sobrado

E tinha uma laje
Entrada de mármore
E farto telhado

A minha casa
Não era só  casa 
Era o meu lar

E tinha uma janela
Aberta pra rua
Sem vista pro mar                                   

Pois não tinha mar
Na rua Ipanema
Nem praia famosa
Com gente morena

Mas tinha essa casa
Que alguém arrancou
E com ela os sonhos
Que a gente  plantou!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

MORTE


A lápide gelo
terra molhada
algumas flores
trazendo vida
à morte
que imperava!
Cor de sangue,
que aos poucos
desbotava.
Uma pequena fotografia
- idade ou causa mortis -
nada revelava.
Todo um  cenário
de horrores
exalando o perfume
desperfume
de amores:
A morte institucionalizada.


domingo, 30 de outubro de 2011

Quem disse que eu gosto de poesia?

Não
Eu não gosto de poesia
É ela  
Quem gosta de mim!

Qual o cão
Gosta do dono
Ainda
Que lhe seja ruim...

 E não faço
 Versos pensados
Os versos 
 É que se fazem
Isso sim!

 Na metamorfose
Ou na metáfase  
Dos sentimentos
Que cabem
Em mim.

 Não
 Eu não escrevo poesia
Mas ela se inscreve
Inevitavelmente
Afim!

 Invadindo minhas veias
Pondo  ovos  
Em minhas ideias
 Como faz
Qualquer chupim...

Já disse:
Não faço poesia...
Ela é quem se faz
E fim!

E não invento versos
Eles  se reinventam
Quando finalmente
 Se alimentam
De mim.


sábado, 29 de outubro de 2011

MEU HERÓI

Quando ainda era criança
E a realidade era só
um lado da fantasia
Acreditava em  heróis
E vilões de cinema
De desenhos animados
Ou das revistinhas
Mocinhos inatingíveis
Vilões intrépidos
Destemidos imortais
De todos eles
Você tinha um pouco
Só que muito melhor
Que todos os outros
Você era o meu pai!