Um dia partiu rumo ao horizonte que nunca se alcança. Encontrou o sol e virou nuvem... evaporou-se. Desapareceu apenas para continuar existindo dentro de mim. E eu só queria ir com ele...mas nem minhas lágrimas foram suficientes para trazê-lo de volta... fracassei...e tive que permanecer aqui: com os olhos no horizonte e os pés no abismo. Como não pudesse detê-lo comigo, decidi carregar a sua dor, amar sua sombra e morrer sua morte; sempre disposta a fazer qualquer coisa para mostrar que nada mudou! Como se ele pudesse, de alguma forma, saber... Fiz dessa morte diária, dessa dor crônica, um tributo a sua ausência ou a sua presença etérea. Porque não há morte que se reconheça sem um cadáver! Sem um corpo... não há certezas, só suposições! O luto é permanente; imanente e secreto. Sem um corpo, a morte é informal, o morto é marginal e o ritual mortuário é apenas virtual e repetitivo. Não cultivei muitas esperanças porque não sabia o que esperar... mas guardo apenas uma: a de que talvez, um dia desses, esse caixão finalmente se feche atrás de mim.
Imagem:micionario.blogspot.com
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Há 28 anos meu pai desapareceu, com grande possibilidade de ter sido assassinado, mas sem confirmação disso. Conviver com a ausência esses anos todos me faz vivenciar um luto diário e um sentimento de perda que continua vivo e sangrando todos os dias.
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