terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Dor

A dor de toda uma vida
É dor que se carrega
Que se aceita
E se assimila
Dor que se retrai 
Ou  se expande
Subsistindo
Resistindo à vida
Sulcos profundos 
De mágoa
Num' alma toda ferida
Dor que se apreende
E  se aprende
Dor que  ensina
Dor que se  transforma
Que se caricaturiza.

Violência


Finjo que
não vejo
a violência
escondida
embutida
dissimulada
pois há tanta
violência
instituída
consentida
legalizada
que eu acredito
já estar
bastante
violentada

sábado, 25 de fevereiro de 2012

CAOS




Então o mundo era
pra mim
como um rio sem leito
ou o fim de uma geleira

Todo o universo
era só um vácuo

Um nada 
no meio de tudo
e tudo 
no meio do nada!

E eu
apenas  um verme
resistindo ao frio

Não havia passado
porque não havia futuro

Só o que existia
era o agora
o imediato ainda que
lento e caótico

Não havia mais
medo ou preocupações
 porque não havia
o que temer
e nem com o que 
se preocupar

Estar vivo
era ao mesmo tempo
o axioma
e  o teorema

O começo
era o fim
e o fim era só outro começo
E eu... sobrevivi!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Eu me vejo

Às vezes eu me olho
e me acho bela...

Às vezes eu me olho
e me acho velha...

Às vezes eu me olho
e me acho única...

Às vezes eu me olho
e encontro muitas...

Às vezes eu me olho
e me encanto...

Às vezes eu me olho
e nem tanto...

Às vezes eu me olho
e me encaro...

Às vezes eu me olho
e me escondo...

Às vezes eu me olho
e me acho...

 Às vezes eu me olho
e me perco...

Mas sempre que
eu me olho...
eu me vejo!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


MEDO


A minha alma anda a ermo
Entre os escombros deste palácio
Que nunca existiu!
Com tantas flores e estradas
Nunca colhidas e nunca trilhadas:
O medo!
O medo varreu tudo...
Lágrimas e sorrisos.
É homem castrado
e mudo em seu caminho.




MATERNIDADE

Eu nunca mais serei a mesma:
dentro e fora de mim
estão as marcas  e os sinais
da violência que me rasgou
e da doçura que me envolveu.
Eu nunca mais pensarei
da mesma forma
e  nunca mais terei
a mesma forma.
Já não darei  tanta importância
a coisas tão pequenas
ou  tanta atenção
a mim mesma.                                                   
Já não  terei tantas certezas                                                  
ou sempre  a razão.
E por algum motivo
que eu realmente
desconheço....
Eu vou achar tudo isso
Muito bom!!!






Tela: Margarita Sikorskaia