Toda a embriaguez em mim
Eu transformo em versos...
Estes versos que escrevi
Numa dessas noites negras...
Em que a solidão rosna
O vento uiva ...
e o corpo queima !
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Fim
Eu preciso tanto escrever
que pouco me importa
se fica bom ou ruim...
Escrever é minha sina
Escrever é o meu fim!
Diluir
Eu
escrevo
porque
preciso
me
diluir...
Em
versos
para
continuar
a
existir...
Porque
quando
escrevo
eu
me
inscrevo
antecipando
o
fim.
Cada
palavra
é
só
mais
um
vento
soprando
de
dentro
de
mim !
A dor de toda uma vida É dor que se carrega Que se aceita E se assimila Dor que se retrai Ou se expande Subsistindo Resistindo à vida Sulcos profundos De mágoa Num' alma toda ferida Dor que se apreende E se aprende Dor que ensina Dor que se transforma Que se caricaturiza.
Finjo que
não vejo
a violência
escondida
embutida
dissimulada
pois há tanta
violência
instituída
consentida
legalizada
que eu acredito
já estar
bastante
violentada
A minha alma anda a ermo Entre os escombros deste palácio Que nunca existiu! Com tantas flores e estradas Nunca colhidas e nunca trilhadas: O medo! O medo varreu tudo... Lágrimas e sorrisos. É homem castrado e mudo em seu caminho.
Um dia partiu rumo ao horizonte que nunca se alcança. Encontrou o sol e virou nuvem... evaporou-se. Desapareceu apenas para continuar existindo dentro de mim. E eu só queria ir com ele...mas nem minhas lágrimas foram suficientes para trazê-lo de volta... fracassei...e tive que permanecer aqui: com os olhos no horizonte e os pés no abismo. Como não pudesse detê-lo comigo, decidi carregar a sua dor, amar sua sombra e morrer sua morte; sempre disposta a fazer qualquer coisa para mostrar que nada mudou! Como se ele pudesse, de alguma forma, saber... Fiz dessa morte diária, dessa dor crônica, um tributo a sua ausência ou a sua presença etérea. Porque não há morte que se reconheça sem um cadáver! Sem um corpo... não há certezas, só suposições! O luto é permanente; imanente e secreto. Sem um corpo, a morte é informal, o morto é marginal e o ritual mortuário é apenas virtual e repetitivo. Não cultivei muitas esperanças porque não sabia o que esperar... mas guardo apenas uma: a de que talvez, um dia desses, esse caixão finalmente se feche atrás de mim.
Imagem:micionario.blogspot.com