domingo, 16 de dezembro de 2012


ALMA

Nas minhas veias
Não corre plasma
Corre alma
De uma tristeza
Tão intensa
Que é quase calma
Em minhas veias
Correm cores e flores
Azuis e palmas
Corre um rio de dores
Corre alma.

NARCISO

O que me faz
te amar  assim
é conhecer
somente
o que de você
existe em mim.
É me cegar
pros teus defeitos.
É desprezar
qualquer conceito
que (re)defina
você em mim...

sexta-feira, 26 de outubro de 2012


Embriaguez

Toda a embriaguez em mim
Eu transformo em versos...
Estes versos que escrevi
Numa dessas noites negras...
Em que a solidão rosna
O vento uiva ...
e o corpo queima !

segunda-feira, 20 de agosto de 2012





Fim

Eu preciso tanto escrever
que pouco me importa
se fica bom ou ruim...
Escrever é minha sina
Escrever é o meu fim!










Diluir

Eu
escrevo
porque
preciso
me
diluir...
Em
versos
para
continuar
a
existir...
Porque
quando
escrevo
eu
me
inscrevo
antecipando
o
fim.
Cada
palavra
é

mais
um
vento
soprando
de
dentro
de
mim !

domingo, 29 de abril de 2012

Existência plástica

Prefiro a verdade
das feridas 
abertas 
fétidas
infectas
necrosadas...

E a nudez de homens 
e mulheres 
com suas rugas
escandalosas
e suas carnes
velhas
e  flácidas...

Prefiro  a sinceridade
de palavras
cortantes
e  a companhia 
de homens
errantes 
a viver uma existência
cretina
e plástica!

domingo, 11 de março de 2012

Quietinho



O meu amor 
morreu de fome
morreu de sede
morreu sem nome...

Morreu na rua
abandonado
feito um menino
esfomeado...



Morreu sozinho
triste e cansado
contando estrelas
do seu telhado.
 
Morreu quietinho
e nem chorou
deu um suspiro
e expirou!


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Dor

A dor de toda uma vida
É dor que se carrega
Que se aceita
E se assimila
Dor que se retrai 
Ou  se expande
Subsistindo
Resistindo à vida
Sulcos profundos 
De mágoa
Num' alma toda ferida
Dor que se apreende
E  se aprende
Dor que  ensina
Dor que se  transforma
Que se caricaturiza.

Violência


Finjo que
não vejo
a violência
escondida
embutida
dissimulada
pois há tanta
violência
instituída
consentida
legalizada
que eu acredito
já estar
bastante
violentada

sábado, 25 de fevereiro de 2012

CAOS




Então o mundo era
pra mim
como um rio sem leito
ou o fim de uma geleira

Todo o universo
era só um vácuo

Um nada 
no meio de tudo
e tudo 
no meio do nada!

E eu
apenas  um verme
resistindo ao frio

Não havia passado
porque não havia futuro

Só o que existia
era o agora
o imediato ainda que
lento e caótico

Não havia mais
medo ou preocupações
 porque não havia
o que temer
e nem com o que 
se preocupar

Estar vivo
era ao mesmo tempo
o axioma
e  o teorema

O começo
era o fim
e o fim era só outro começo
E eu... sobrevivi!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Eu me vejo

Às vezes eu me olho
e me acho bela...

Às vezes eu me olho
e me acho velha...

Às vezes eu me olho
e me acho única...

Às vezes eu me olho
e encontro muitas...

Às vezes eu me olho
e me encanto...

Às vezes eu me olho
e nem tanto...

Às vezes eu me olho
e me encaro...

Às vezes eu me olho
e me escondo...

Às vezes eu me olho
e me acho...

 Às vezes eu me olho
e me perco...

Mas sempre que
eu me olho...
eu me vejo!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


MEDO


A minha alma anda a ermo
Entre os escombros deste palácio
Que nunca existiu!
Com tantas flores e estradas
Nunca colhidas e nunca trilhadas:
O medo!
O medo varreu tudo...
Lágrimas e sorrisos.
É homem castrado
e mudo em seu caminho.




MATERNIDADE

Eu nunca mais serei a mesma:
dentro e fora de mim
estão as marcas  e os sinais
da violência que me rasgou
e da doçura que me envolveu.
Eu nunca mais pensarei
da mesma forma
e  nunca mais terei
a mesma forma.
Já não darei  tanta importância
a coisas tão pequenas
ou  tanta atenção
a mim mesma.                                                   
Já não  terei tantas certezas                                                  
ou sempre  a razão.
E por algum motivo
que eu realmente
desconheço....
Eu vou achar tudo isso
Muito bom!!!






Tela: Margarita Sikorskaia

sábado, 21 de janeiro de 2012

Estranho luto...

Um dia partiu rumo ao horizonte que nunca se alcança.  Encontrou o sol e virou nuvem... evaporou-se. Desapareceu  apenas  para continuar existindo dentro de mim. E eu só queria ir com ele...mas nem minhas lágrimas foram suficientes para trazê-lo de volta... fracassei...e tive que permanecer  aqui:  com os olhos no horizonte e os pés no abismo. Como não pudesse detê-lo comigo, decidi  carregar a sua dor,  amar sua sombra e morrer sua morte; sempre disposta a fazer qualquer coisa para mostrar que nada mudou! Como se ele pudesse, de alguma forma, saber...  Fiz dessa morte diária, dessa dor crônica, um tributo a sua ausência ou a sua presença etérea.  Porque não há morte que se reconheça sem um cadáver!  Sem um corpo... não há certezas, só suposições! O luto é permanente; imanente e secreto. Sem um corpo, a morte é informal, o morto é marginal e o ritual mortuário é apenas virtual e repetitivo. Não cultivei muitas esperanças porque não sabia o que esperar... mas guardo apenas uma: a de que talvez, um dia  desses,  esse caixão finalmente se feche atrás de mim.
Imagem:micionario.blogspot.com